Hoje ao olhar pela janela e ver meu rosto retorcido no reflexo pela gotas de chuvas acumuladas, vi o quão triste, pequena e frágil me sentia. Sorria, ao menos tentava sorrir e aquele sorriso não atingia meus olhos e minha face, mais parecia que me torturava ao fazer aquilo.Tentava chorar e nem as lágrimas pareciam minhas aliadas e sim que se negava a surgir, o meu coração se perdia em suas batidas desconformes, e tudo o que eu queria nem eu mesma sabia, só tinha como única aliada a solidão que se irradiava ao ver o meu estado. Ela dançava ao meu redor como uma melodia, se alegrava ao perceber que eu estava me rendendo a sua companhia, o telefone próximo a mim já tocava a muito e eu nem me dera conta disso. A minha mente só vinha suas palavras, o seu olhar não mais que furioso e sim frustrado pela arrogância e pela raiva. E eu sabia o motivo, não era a frieza com que eu te tratava, a verdade é que eu sempre me perguntei se realmente merecia tanta confiança, tanto amor, tanta dedicação e compreensão. Sei que sou covarde por me arriscar a perder do que me deixar ser amada, tudo o que tenho é medo por já ver sofrimento demais, sou sempre a pláteia da vida dos meus amigos, uma novela que segue sempre o mesmo roteiro, apenas sofrendo a sua adaptação aquela realidade. Agora ao me ver como protagonista da minha própria novela, me sinto nervosa e como muitas borboletas em meu estômago, minhas mãos ficam frias, uma explosão de sentimentos ao mesmo tempo, me sinto boba com tudo isso.
A chuva já passou, e ainda tem uma borboleta que voa pela varanda e fica batendo na janela. Percebo que o que tenho que fazer é me deixar arriscar, medo sempre irei ter, decepções também, frustações igualmente, irei me deixar arriscar pois sempre que tento controlá-los as coisas escapam entre meus dedos.
Vou deixar a minha vida ser como quando em uma montanha russa, medo, excitação, surpresa, nostalgia atingir-me de uma só vez. Pois a minha é curta que nem desta pequena borboleta e deixá-la esvair-se assim, não é do meu feitio.









